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ARTIGO DOM ANUAR
Economia de comunhão. Um testemunho real

Em 1991, Chiara Lubich, fundadora do Movimentodos Focolares, veio visitar o Brasil e os vários centros do Movimento. Durante a viagem leu a Encíclica Centesimus Annus, na qual o Papa João Paulo II convida à solidariedade, também num sistema econômico. Em São Paulo, vendo o grande cinturão de pobreza, tendo no centro de tudo uma economia exuberante e excludente, teve a inspiração de propor um projeto de economia onde o ponto de partida fosse a comunhão dos bens.

Uma economia que ela chamou de “Economia de Comunhão” (EdC). Trata-se da criação ou da reestruturação de empresas, pequenas ou grandes, entendidas como comunidade de pessoas, cujos proprietários livremente distribuem os lucros de acordo com o novo critério.

A Economia de Comunhão envolve empresários, trabalhadores, gestores, consumidores, aforradores, cidadãos, estudiosos e demais operadores economicos. As empresas são a espinha dorsal do projeto que livremente decidem colocar em comunhão os seus lucros.

A novidade da Economia de Comunhão nas empresas está na distribuição dos lucros para três finalidades:
1) ajudar as pessoas que estão em dificuldade, criando novos postos de trabalho e satisfazer as suas necessidades básicas através de projetos de desenvolvimento, começando com aqueles que partilham o espírito do projeto;

2) difundir a “cultura do dar” e da reciprocidade, sem a qual é impossível realizar uma Economia de Comunhão;

3) desenvolver a empresa, que deve permanecer eficiente e competitiva,
enquanto se abre à gratuidade.

Este projeto foi lançado no Brasil pela primeira vez e foi chamado de “A Bomba”, porque revolucionou completamente os critérios econômicos e fez todos vibrarem e aderirem a uma idéia completamente nova em todos os sentidos. Esse projeto revolucionário não permaneceu no papel ou só na cabeça dos ouvintes. Hoje são aproximadamente 900, as empresas de várias dimensões que, no mundo, aderiram à EdC.

Na América Latina, aproximadamente 200; na Europa, 300. Um número discreto na América do Norte e na Ásia, especialmente nas Filipinas, e algumas outras na África e na Austrália. Sempre nascem novas empresas desse tipo em toda parte, implantadas por membros do Movimento, com capital e tecnologia partilhadas também entre as nações e continentes.

No Brasil, aproximadamente 100 pequenas e médias empresas aderiram, por enquanto, ao projeto lançado por Chiara Lubich, entre as quais algumas também no Paraná. Nas proximidades do maior centro do Movimento, chamado Mariápolis Ginetta/SP, municipio de Vargem Grande Paulista, nasceu o Pólo Empresarial “Spartaco”, com a finalidade de demonstrar a viabilidade e a atualidade do projeto e hoje conta com 6 empresas. É um pequeno modelo, a ser visitado, para se ter uma idéia concreta de como a Economia de Comunhão pode ser viável nas cidades e nos campos nos dias de hoje.

Em 1996, Chiara Lubich recebeu o doutorado honoris causa, em Ciências Sociais, da Universidade Católica de Lublin, na Polônia. Um dos motivos da entrega da laurea “ad honorem” foi justamente devido a Economia de Comunhão.

É significativo o fato de que os primeiros reconhecimentos oficiais saiam do leste Europeu e da América Latina. No Brasil, lhe foi conferido um outro doutorado h.c. em “Economia” pela Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, pela sua inspiração do projeto da Economia de Comunhão, um novo caminho econômico aberto diante da insatisfatória resposta do capitalismo e do comunismo.

O Brasil, berço da Economia de Comunhão, em sua experiência piloto, tornou-se conhecido em todos os outros países onde o Movimento atua. De fato, onde quer que seja apresentada a Economia de Comunhão, o Brasil torna-se conhecido como ponto de partida e atuação desse projeto reconhecidamente atual e necessário.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano nos aponta para uma reflexão sobre a “Economia e Vida” e a Economia de Comunhão é um método novo que já está dando seus frutos de solidariedade e nos faz vislumbrar um novo modelo de economia para novos destinos da humanidade.

Dom Anuar Battisti é arcebispo Metropolitano de Maringá

 

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