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“DEUS É AMOR” (Cf. 1Jo 4,8). UM PEDACINHO DO MEU CHAMADO VOCACIONAL PARA VOCÊS!

Qual o chamado vocacional que Deus lhe faz?

  
“DEUS É AMOR” (Cf. 1Jo 4,8). UM PEDACINHO DO MEU CHAMADO VOCACIONAL PARA VOCÊS!

Saudações em Cristo! A Paz de Jesus esteja com todos vocês! Eu sou Padre José Roberto Vieira (Padre Beto), Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo, Sarandi-PR, Assessor Eclesiástico da RCC Maringá, Apostolado Eucarístico da Divina Misericórdia e dos Grupos de Vivência Pós-Crisma na Arquidiocese de Maringá. Sou natural da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e São Judas Tadeu, Maringá-PR, o filho caçula de Antonio e Clotilde Maria que, casados há 57 anos, tiveram seis filhos, dos quais dois faleceram ainda bebês e um falecera há poucos anos com 48 anos de idade, vitimado pelo câncer. Somos gente de origem simples, graças a Deus. Meus pais foram lavradores.

Como, desde muito pequeno, sempre demonstrei interesse pelos estudos, aconselhados por meus professores, meus pais decidiram mudar-se para Maringá, comigo, então, cursando a quinta série, deixando para trás toda uma vida vivida no campo para que eu pudesse estudar e me formar profissionalmente. Meu pai, assim que chegamos a Maringá (1995): “Meu filho, sua mãe e eu queremos muito que você seja alguém na vida, portanto, arrendamos nosso sítio até conseguirmos vendê-lo e alugamos esta humilde casa (de dois cômodos inacabados), para que você possa estudar. O pai e a mãe não tem muito estudo, mas nós dois vamos trabalhar até você completar o Segundo Grau (hoje, ‘Ensino Médio’) e você? Cuidará da casa e estudará para ser alguém na vida! Ao completar a maioridade, então, você começará a trabalhar e sua mãe não trabalhará mais fora de casa”. Meu pai foi vendedor ambulante, porteiro, até, com a graça de Deus, ser aprovado em concurso público municipal e aposentar-se como agente de vigilância; já minha mãe, trabalhava como diarista e empregada doméstica em casa de famílias na cidade. Quanto orgulho eu tenho dos meus pais!

Deus nos abençoou. Em 1999, meu pai conseguiu vender o nosso sítio e, com o dinheiro, comprar a casa própria na qual vivem até hoje.

            Fomos sempre católicos, graças a Deus! Comecei a caminhar cedo na Igreja, numa capelinha, como coroinha, num Patrimônio Rural chamado Alecrim, Município de Ivaiporã, Paraná, onde recebi a Primeira Eucaristia e participava, com minha família, das Missas e/ou Celebrações da Palavra dominicais. Eu já queria ser padre, sabiam? Contudo, vi tudo acontecer muito rápido e quando dei por mim, criança ainda, meus pais já tinham aberto mão de tudo o que tínhamos (sítio, casa, animais, maquinários agrícolas etc) visando proporcionar-me um futuro melhor.

            Portanto, pedia a Deus duas coisas: Concluir uma Faculdade e conseguir um bom emprego. Como foi difícil, sem os recursos que temos hoje. Fui constantemente reforçar esses pedidos aos pés de Jesus no sacrário da Catedral de Maringá até que, a caminho do plantão do cursinho pré-vestibular ouvi ao longe o refrão de uma música mariana “Ave... Ave... Ave Maria!” (Música Treze de Maio). Seguindo aquela canção em pleno 12 de outubro conheci a RCC por um evento chamado Cenáculo com Maria. Ao entrar, fui surpreendido por um terno abraço e uma calorosa acolhida e, qual não foi minha surpresa quando, ainda sem entender muita coisa senti meu coração acelerar quando o pregador apontando para a entrada daquele imenso ginásio repleto de pessoas disse assim: “Você que há tanto tempo vem pedindo a Deus uma grande graça, saiba que Deus lhe reservou esse presente para te entregar hoje, aqui, pelas mãos da Virgem Maria. Aqui é o teu lugar e o tempo da Graça é hoje!”. Mesmo sem entender muita coisa, compreendi que Deus falava comigo naquele instante e, ali encontrei pregado nas paredes do ginásio editais de concursos públicos.

             Estudei. Prestei vários concursos públicos. Fui aprovado. Fiz opção pelo Serviço Público Municipal, onde permaneci por quase 10 anos numa carreira muito frutífera. Consegui também concluir a faculdade de Letras Português/Inglês, pela UEM (2002-2006). Conheci e me apaixonei pelos Grupos de Oração, onde, batizado no Espírito Santo, caminhei e servi por muitos anos. Lecionei em escola de línguas. Eu era muito feliz, sempre rodeado de muitos amigos. Contudo, um antigo sonho que permanecera adormecido há anos, visando corresponder a tudo o que meus pais fizeram por mim, resolveu despertar: ser padre!

            Entretanto, como dizer isso a meus pais, frente a tudo o que eles fizeram por mim (para que eu estudasse e me formasse profissionalmente), agora, no momento em que eu começava a colher os frutos de tantos de esforços e lutas? Eu não disse. Por isso, os anos foram passando e eu? Continuava me sentindo na obrigação de trabalhar e ajudar financeiramente em casa.

            “Deus é Amor” (cf. 1Jo 4,8). Foi então, que, em meio à correria do dia-a-dia, chegando tarde do trabalho (pois, ao sair do serviço público, eu lecionava em escola particular), encontrei meus pais à minha espera. Minha mãe: “Filho, estamos preocupados com você! Percebemos que quando você não está no trabalho, está envolvido com as atividades da Igreja, sobretudo do grupo de oração, vida que você ama! Mas, também temos percebido estes anos todos o quanto você se preocupa em cuidar de nós, seus pais! Problema: nós não viveremos eternamente! Você precisa fazer sua própria vida e caminho! Por que, então, ao invés de dedicar o tempo que sobra a Deus, você não dedica sua vida toda a Ele? Vai lá! Conversa com o padre e diga que você também quer ser padre!”.

E... Para encurtar este texto que já ficou grandinho... O desfecho desta história? Está aqui: este é o quarto ano em que posso comemorar com vocês esse presente: ser padre e, assim, presença de Deus através do presbiterado na vida de tanta gente que se faz presente e presença de Deus em minha vida não apenas hoje, domingo do mês de agosto dedicado à vocação sacerdotal, mas em todos os dias do ano! O Batismo no Espírito Santo, o exercício dos Carismas e a vivência em comunidade fez arder em meu coração um único anseio: responder SIM ao chamado de Deus para mim. E você? Qual o chamado vocacional que Deus lhe faz? Não tenha medo! Dê a Ele a sua resposta!

Deus lhe abençoe!

 

Padre José Roberto Vieira (Padre Beto).